Unesp
2026
Texto de apoio para a questão

Para responder às questões de 01 a 05, leia um trecho do romance ilustrado As aventuras de Nhô Quim: ou impressões de uma viagem à Corte, de Angelo Agostini (1843-1910) e Cândido Aragonez de Faria (1849-1911), publicado originalmente entre 30 de janeiro de 1869 e 12 de outubro de 1872. O Dia do Quadrinho Nacional é celebrado em 30 de janeiro em razão justamente da data de publicação do primeiro capítulo desse romance ilustrado.

Nhô¹ Quim, jovem de vinte anos, filho único de gente rica porém honrada, namorara-se de sinhá Rosa, moça virtuosa, mas que... de louça nem um pires. O velho Quim, tendo só em vista a felicidade do pequeno, entende que mulher sem dinheiro é asneira; e por isso em lugar de mandar o filho plantar batatas, (o que seria muito proveitoso na roça), resolve-o a dar um passeio à Corte para distraí-lo.

Nhô Quim despede-se da família e parte montado no cavalinho ruço

Nhô Quim decide-se a deixar os lares paternos. Cobrem-no de beijos, abraços, conselhos e bênçãos!

Montado no cavalinho ruço², diz o nosso herói o último adeus!

Nhô Quim e Benedito galgam morros durante três dias até avistar a estação

Leva três dias completos a galgar morros, na companhia do seu fiel Benedito.

Avista afinal a desejada estação. Nhô Quim fica absorto,

e o cavalinho ruço muito admirado!

Nhô Quim benze-se antes de entrar no trem e oferece queijo de Minas aos passageiros

Pelo sim pelo não o nosso homem benze-se três vezes antes de entrar no trem.

– E por causa das dúvidas, vai cumprimentando com delicadeza

– e oferecendo um pedaço de queijo de Minas, que traz bem guardadinho na bota, e que pelo aroma parece queijo suíço.

Nhô Quim chega à estação, sofre um encontrão, espanta-se com a eletricidade e admira os arreios da loja do Lambert

Nhô Quim chega à estação do Campo de Santana sem outra novidade a não ser a de ficar muito admirado diante do edifício.

Logo que sofre o primeiro encontrão, Nhô Quim acha que esta gente da Corte é bem malcriada e que nem sequer pede licença para passar.

Encostando-se à vidraça do Grande Mágico, Nhô Quim sentiu uma coisa!... Oh, que coisa!!! Santa Bárbara! São Jerônimo!!... (Nhô Quim não conhece a eletricidade)

Resmungando sempre, chega o nosso homem até defronte da casa do Lambert. A perfeição dos selins³ e o luxo dos arreios trazem-lhe à ideia o seu cavalinho ruço, sobre cujo espinhaço tão bem assentariam aqueles adornos!

Nhô Quim provoca um trambolhão, apanha do marido e ajoelha-se diante da loja do Profeta

Uma senhora, que passava com seu marido, fica presa pela cauda do vestido nas esporas do nosso homem. Segue-se o inevitável trambolhão.

O marido, furioso, assenta em Nhô Quim os mais valentes bofetões, de que há notícia. Para desculpar-se o pobre ratão⁴ repete sempre que não foi por querer!!

Desolado por tantas fatalidades, ao chegar defronte da loja do Profeta, Nhô Quim ajoelha diante da imagem, que toma por são Nicolau, e pede-lhe que o livre de tamanho caiporismo⁵!

(Angelo Agostini e Cândido Aragonez de Faria. As aventuras do Nhô Quim: ou impressões de uma viagem à Corte, 2024. Adaptado.)

¹nhô: tratamento reverente dispensado originalmente aos brancos, especialmente aos patrões ou proprietários, pelos escravizados.

²ruço: pelo castanho-claro.

³selim: sela para montaria.

⁴ratão: indivíduo excêntrico, extravagante.

⁵caiporismo: estado, condição ou qualidade de quem é caipora, infeliz ou azarado em tudo ou quase tudo que faz ou que lhe sucede.

Depreende-se do início do romance ilustrado que a viagem de Nhô Quim à Corte se deve

a

ao seu receio de ter que se casar com uma mulher de índole duvidosa.

b

à sua falta de habilidade com as atividades agrícolas.

c

à sua falta de interesse pelos negócios do pai na roça.

d

à sua desconfiança de que a namorada estaria interessada apenas em ascender socialmente.

e

ao seu envolvimento com uma mulher pertencente a um estrato social inferior.

Resposta certa

Resolução

A resposta está correta porque o início do texto relaciona a viagem ao namoro de Nhô Quim com sinhá Rosa e à oposição de seu pai a esse relacionamento.

Nhô Quim é apresentado como “filho único de gente rica”, enquanto Rosa é uma “moça virtuosa, mas que... de louça nem um pires”. Essa expressão indica que ela não possuía bens. Assim, o contraste mostra que a jovem pertencia a um estrato social inferior, isto é, a uma camada social economicamente menos favorecida que a família dele.

O pai considera que “mulher sem dinheiro é asneira” e, por isso, manda o filho passear na Corte “para distraí-lo”. Entende-se, portanto, que pretende afastá-lo de Rosa e fazê-lo esquecer o namoro: a viagem é motivada pelo envolvimento amoroso que o pai desaprova por razões econômicas.

* Explicação gerada com inteligência artificial. Pode conter erros.
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