Para responder às questões de 01 a 05, leia um trecho do romance ilustrado As aventuras de Nhô Quim: ou impressões de uma viagem à Corte, de Angelo Agostini (1843-1910) e Cândido Aragonez de Faria (1849-1911), publicado originalmente entre 30 de janeiro de 1869 e 12 de outubro de 1872. O Dia do Quadrinho Nacional é celebrado em 30 de janeiro em razão justamente da data de publicação do primeiro capítulo desse romance ilustrado.
Nhô¹ Quim, jovem de vinte anos, filho único de gente rica porém honrada, namorara-se de sinhá Rosa, moça virtuosa, mas que... de louça nem um pires. O velho Quim, tendo só em vista a felicidade do pequeno, entende que mulher sem dinheiro é asneira; e por isso em lugar de mandar o filho plantar batatas, (o que seria muito proveitoso na roça), resolve-o a dar um passeio à Corte para distraí-lo.

Nhô Quim decide-se a deixar os lares paternos. Cobrem-no de beijos, abraços, conselhos e bênçãos!
Montado no cavalinho ruço², diz o nosso herói o último adeus!

Leva três dias completos a galgar morros, na companhia do seu fiel Benedito.
Avista afinal a desejada estação. Nhô Quim fica absorto,
e o cavalinho ruço muito admirado!

Pelo sim pelo não o nosso homem benze-se três vezes antes de entrar no trem.
– E por causa das dúvidas, vai cumprimentando com delicadeza
– e oferecendo um pedaço de queijo de Minas, que traz bem guardadinho na bota, e que pelo aroma parece queijo suíço.

Nhô Quim chega à estação do Campo de Santana sem outra novidade a não ser a de ficar muito admirado diante do edifício.
Logo que sofre o primeiro encontrão, Nhô Quim acha que esta gente da Corte é bem malcriada e que nem sequer pede licença para passar.
Encostando-se à vidraça do Grande Mágico, Nhô Quim sentiu uma coisa!... Oh, que coisa!!! Santa Bárbara! São Jerônimo!!... (Nhô Quim não conhece a eletricidade)
Resmungando sempre, chega o nosso homem até defronte da casa do Lambert. A perfeição dos selins³ e o luxo dos arreios trazem-lhe à ideia o seu cavalinho ruço, sobre cujo espinhaço tão bem assentariam aqueles adornos!

Uma senhora, que passava com seu marido, fica presa pela cauda do vestido nas esporas do nosso homem. Segue-se o inevitável trambolhão.
O marido, furioso, assenta em Nhô Quim os mais valentes bofetões, de que há notícia. Para desculpar-se o pobre ratão⁴ repete sempre que não foi por querer!!
Desolado por tantas fatalidades, ao chegar defronte da loja do Profeta, Nhô Quim ajoelha diante da imagem, que toma por são Nicolau, e pede-lhe que o livre de tamanho caiporismo⁵!
(Angelo Agostini e Cândido Aragonez de Faria. As aventuras do Nhô Quim: ou impressões de uma viagem à Corte, 2024. Adaptado.)
¹nhô: tratamento reverente dispensado originalmente aos brancos, especialmente aos patrões ou proprietários, pelos escravizados.
²ruço: pelo castanho-claro.
³selim: sela para montaria.
⁴ratão: indivíduo excêntrico, extravagante.
⁵caiporismo: estado, condição ou qualidade de quem é caipora, infeliz ou azarado em tudo ou quase tudo que faz ou que lhe sucede.
Considerando o contexto histórico-social de produção do romance ilustrado, depreende-se que Nhô Quim viajou para a seguinte cidade:
Paraty.
São Paulo.
Rio de Janeiro.
Salvador.
Ouro Preto.
Resolução
A pista principal está na afirmação de que o pai de Nhô Quim resolve mandá-lo “dar um passeio à Corte”. Nesse contexto, “Corte” designa a cidade onde ficavam a residência do imperador e o centro do governo imperial.
O romance foi publicado originalmente entre 1869 e 1872, quando o Brasil era uma monarquia governada por dom Pedro II. Naquele período, o Rio de Janeiro era a capital do Império e a sede da Corte. Portanto, esse era o destino da viagem de Nhô Quim.
Outra informação do trecho confirma essa localização: o personagem desembarca na “estação do Campo de Santana”, situada na cidade do Rio de Janeiro.