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2026

Analise o excerto do romance Esaú e Jacó, de Machado de Assis, publicado originalmente em 1904.

— Mas o que é que há? perguntou Aires.
— A república está proclamada.
— Já há governo?
— Penso que já; mas diga-me V. Ex.ª: ouviu alguém acusar-me jamais de atacar o governo? Ninguém. Entretanto... Uma fatalidade! Venha em meu socorro. Excelentíssimo. Ajude-me a sair deste embaraço. A tabuleta está pronta, o nome todo pintado. — “Confeitaria do Império”, a tinta é viva e bonita. O pintor teima em que lhe pague o trabalho, para então fazer outro. Eu, se a obra não estivesse acabada, mudava de título, por mais que me custasse, mas hei de perder o dinheiro que gastei? V. Ex.ª crê que, se ficar “Império”, venham quebrar-me as vidraças?
— Isso não sei.
— Realmente, não há motivo; é o nome da casa, nome de trinta anos, ninguém a conhece de outro modo.
— Mas pode por “Confeitaria da República”...
— Lembrou-me isso, em caminho, mas também me lembrou que, se daqui a um ou dous meses, houver nova reviravolta, fico no ponto em que estou hoje, e perco outra vez o dinheiro.

(Machado de Assis. Obra completa, 1986.)

O excerto mostra um diálogo do proprietário de uma confeitaria com outro personagem, o Conselheiro Aires. No diálogo, o dono da confeitaria expressa

a

sua oposição à alta dos preços, resultante da inflação e da desvalorização da moeda dos últimos anos do Império.

b

sua preocupação com as reações políticas do povo, derivada das violentas rebeliões populares republicanas.

c

seu desconforto com a mudança de regime político, apresentada como prejudicial às suas preocupações monetárias.

Resposta certa
d

seu alheamento em relação ao debate político, restrito à época aos partidos políticos e aos membros do parlamento nacional.

e

sua insatisfação com a Proclamação da República, justificada por sua histórica adesão política ao modelo monárquico.

Resolução

A resposta indicada está correta. O diálogo ocorre no contexto da passagem da Monarquia para a República no Brasil. Essa mudança política preocupa o proprietário porque sua confeitaria tem um nome associado ao regime que acaba de ser derrubado: “Confeitaria do Império”.

O comerciante teme que manter esse nome seja interpretado como apoio à Monarquia e provoque ataques ao estabelecimento. Isso aparece na pergunta: “V. Ex.ª crê que, se ficar ‘Império’, venham quebrar-me as vidraças?”. Ao afirmar que nunca atacou o governo, ele procura afastar qualquer associação com uma oposição política.

Por outro lado, trocar a tabuleta também representa um prejuízo: a pintura já está pronta, e ele terá de pagar pelo trabalho. Sua preocupação financeira fica explícita em “mas hei de perder o dinheiro que gastei?”. Quando Aires sugere “Confeitaria da República”, o proprietário teme outra mudança de regime, que o obrigaria a gastar novamente.

Assim, seu desconforto não expressa principalmente uma defesa da Monarquia ou uma rejeição aos princípios republicanos. Ele avalia a mudança política pelos riscos que ela traz ao seu negócio e ao seu dinheiro.

* Explicação gerada com inteligência artificial. Pode conter erros.
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