Os movimentos sociais em rede, como todos os movimentos sociais da história, trazem a marca de sua sociedade. São amplamente constituídos de indivíduos que convivem confortavelmente com as tecnologias digitais no mundo híbrido da realidade virtual. Seus valores, objetivos e estilo organizacional referem-se diretamente à cultura da autonomia que caracteriza as novas gerações de um novo século. Não poderiam existir sem a internet. Mas seu significado é muito mais profundo. Eles são talhados para o papel de agentes da mudança na sociedade em rede, num contraste agudo com as instituições políticas obsoletas herdadas de uma estrutura social historicamente superada.
(Manuel Castells. Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na era da internet, 2013.)
O tipo de movimento social caracterizado no excerto é exemplificado
na invasão russa da Ucrânia, que se concentrou na desmontagem das bases de comunicação digital ucranianas.
nos ataques do Hamas, que capturou pessoas em meio a um festival de música e impediu que elas se comunicassem com parentes.
na recente lei brasileira que proibiu o uso de celulares por estudantes nas escolas de educação básica e ensino superior.
no Occupy Wall Street, que reuniu investidores do mercado financeiro numa campanha de arrecadação de fundos pela internet.
na Primavera Árabe, que ocorreu em diversos países e recorreu à circulação ágil de mensagens por redes sociais.
Resolução
O texto caracteriza movimentos sociais organizados em rede: pessoas usam a internet e as tecnologias digitais para compartilhar informações, defender objetivos comuns e coordenar ações coletivas. A “cultura da autonomia” está ligada à capacidade de se mobilizar sem depender da direção de partidos políticos ou de outras instituições tradicionais.
A Primavera Árabe exemplifica esse tipo de movimento. Ela reuniu protestos em diversos países do Norte da África e do Oriente Médio, com reivindicações contra governos autoritários e por melhores condições de vida e maior participação política. As redes sociais permitiram divulgar denúncias, convocar manifestações e fazer circular rapidamente mensagens e imagens dos protestos.
Por isso, a alternativa indicada está correta: ela relaciona a Primavera Árabe à circulação ágil de mensagens por redes sociais, uma característica central dos movimentos descritos por Castells. Isso não significa que a internet tenha sido a única causa das mobilizações, mas que foi um importante meio de organização e divulgação de reivindicações sociais e políticas.