Dizer que Caetano falou "X” porque “é um leonino vaidoso" quer dizer que: a) todo leonino é vaidoso (se leonino, vaidoso), ou b) que ele pertence a um subconjunto de leoninos, os vaidosos? (o que dá, no primeiro caso, "leonino, que é vaidoso" e no segundo, "leonino que é vaidoso").
(Sírio Possenti, postagem na rede social Facebook, 8 de agosto de 2020.)
Entre os comentários à postagem, qual deles responde corretamente à pergunta do autor?
“Em um determinado universo de crenças, leoninos são vaidosos. Isso é um clichê, um senso comum.”
“‘É um leonino vaidoso’ = é como qualquer leonino, no caso, vaidoso. É vaidoso porque é vaidoso. Alternativa a.”
“Entendo como a opção 2. Para que eu entendesse como opção 1, deveria ser: ‘como todo leonino, é vaidoso’, ou algo do tipo.”
“Fico com a restritiva ‘leonino que é vaidoso’. Entendo que, ao trazer vaidoso a leonino, acentua o vaidoso já implicado em leonino.”
Resolução
O comentário indicado está correto: a expressão “um leonino vaidoso” apresenta Caetano como alguém que pertence ao grupo dos leoninos e que tem a característica de ser vaidoso. Ela não afirma que todos os leoninos sejam vaidosos.
Nessa leitura, o adjetivo “vaidoso” tem valor restritivo: delimita, entre os leoninos, aqueles que são vaidosos. É a interpretação expressa por “leonino que é vaidoso”, sem vírgula. A oração “que é vaidoso” restringe o grupo mencionado, em vez de atribuir a característica ao grupo inteiro.
Na oposição apresentada pelo autor, a construção com vírgula — “leonino, que é vaidoso” — dá à oração um valor explicativo: a vaidade aparece como uma informação acrescentada, não como um critério para selecionar um subconjunto. A vírgula, porém, não equivale por si só à palavra “todo”.
Por isso, o comentário propõe “como todo leonino, é vaidoso” para expressar claramente a primeira opção. A palavra “todo” torna explícita a generalização: a vaidade seria uma característica de todos os leoninos, e não apenas de Caetano ou de uma parte desse grupo.