O ano de 2008 assistiu ao início de uma crise capitalista mundial que se prolonga até os dias atuais. É uma crise similar, em sua amplitude, à Grande Depressão de 1929. Contudo, apesar de receber a mesma designação (crise), essa crise capitalista prolongada difere em seu contexto mundial e em traços específicos daquela de 1929, sobretudo pelo processo de financeirização que emergiu ao final do século XX e que permite imensas acumulações de capitais.
Sobre essa crise capitalista financeirizada é correto afirmar que
é derivada da superprodução de bens manufaturados, especialmente ligados à indústria de base, em crise com a expansão dos financiamentos.
é produzida pela alta demanda do consumo nos países pobres, o que tem levado a uma ampliação dos financiamentos para a compra de bens.
resulta de especulações financeiras que, sem passarem pelos sistemas produtivos, propiciam acumulações em capitais fictícios.
procede de especulação financeira, gerando excedentes na indústria de bens de capital e exigindo maiores somas em financiamentos.
Resolução
A afirmação está correta porque destaca uma característica da financeirização: o crescimento da importância dos mercados financeiros na economia. Nesse processo, grandes ganhos podem ser obtidos pela negociação e valorização de ativos financeiros, como ações e títulos, sem que ocorra um aumento correspondente na produção de bens e serviços.
A especulação financeira consiste em comprar e vender ativos apostando em mudanças de seus preços para obter lucro. Já os capitais fictícios são valores representados por títulos que dão direito a rendimentos futuros. A palavra “fictícios” não significa que esses títulos sejam falsos, mas que sua valorização pode ocorrer com base em expectativas de ganhos, sem representar uma riqueza produtiva já criada.
Na crise de 2008, isso apareceu especialmente no mercado imobiliário dos Estados Unidos. Bancos concederam empréstimos para a compra de imóveis, inclusive a pessoas com baixa capacidade de pagamento. Os direitos de receber esses pagamentos foram transformados em títulos financeiros e negociados com investidores. A expectativa de que os imóveis continuariam se valorizando estimulou a expansão dessas operações.
Quando os preços dos imóveis caíram e muitos devedores deixaram de pagar, os títulos ligados aos empréstimos perderam valor, provocando grandes prejuízos. Como instituições de vários países haviam comprado esses títulos, a crise se espalhou pelo sistema financeiro mundial e atingiu também a produção e o emprego. Portanto, a alternativa se refere à acumulação baseada em operações financeiras, e não necessariamente em investimentos produtivos. Isso não significa que o setor financeiro esteja isolado da produção: a crise mostrou justamente como os dois estão conectados.