Como justificar que somos uma humanidade, se mais de 70% estão totalmente alienados do mínimo exercício de ser? A modernização jogou essa gente do campo e da floresta para viver em favelas e em periferias, para virar mão de obra em centros urbanos. Essas pessoas foram arrancadas de seus coletivos, de seus lugares de origem, e jogadas nesse liquidificador chamado humanidade. Se as pessoas não tiverem vínculos profundos com sua memória ancestral, com as referências que dão sustentação a uma identidade, vão ficar loucas neste mundo maluco que compartilhamos.
(Adaptado de Ailton Krenak, Ideias para adiar o fim do mundo. Apple Books, 2018, p. 10.)
Com base no texto e em seus conhecimentos, assinale a alternativa que apresenta corretamente os conceitos de “alienação” e “identidade”, respectivamente.
dissociação dos seres humanos de algum aspecto essencial de sua natureza; interações coletivas construídas sobre heranças espaciais e temporalidades vividas.
associação dos seres humanos com a natureza fundamental das sociedades; enraizamentos em espaços e temporalidades herdados que constroem nexos coletivos.
falta de controle sobre processos sociais capitais para a vida das pessoas; apagamento dos tempos e temporalidades precedentes como forma de vínculo coletivo.
consciência e controle plenos das transformações nas relações sociais; estranhamento com relação aos espaços herdados e projetos de futuro das coletividades.
Resolução
A alternativa indicada está correta porque relaciona a alienação à perda de vínculos fundamentais para a existência humana e a identidade à construção coletiva de referências de pertencimento.
Alienação significa o afastamento dos seres humanos de algum aspecto essencial de sua própria existência. No texto, isso ocorre quando as pessoas são retiradas do campo e da floresta para se tornarem mão de obra nos centros urbanos. Esse deslocamento rompe vínculos com suas comunidades, seus modos de vida e suas referências culturais. Portanto, não se trata apenas de mudar de lugar, mas de perder relações que dão sentido à própria vida.
Identidade é construída nas relações sociais, por meio de experiências, memórias, costumes e referências compartilhadas. Por isso, a alternativa fala em “interações coletivas”: a maneira como uma pessoa reconhece a si mesma também depende dos grupos aos quais pertence.
As “heranças espaciais” são os vínculos e as referências associados aos lugares de origem, como o campo e a floresta mencionados. Já as “temporalidades vividas” dizem respeito às experiências históricas, às memórias e aos conhecimentos transmitidos entre gerações. Essa interpretação corresponde à valorização, por Krenak, da “memória ancestral” e das “referências que dão sustentação a uma identidade”.