O crescente interesse em combustíveis renováveis, derivados tanto da cana de açúcar quanto da cana de energia, tem impulsionado estudos no sentido de permitir o maior aproveitamento desses dois tipos de cana na produção de bioetanol de primeira e segunda geração, sendo este último um biocombustível produzido a partir de fibras presentes na cana. Em um simpósio brasileiro sobre bioetanol e biorrefino, realizado em 2017, foram apresentados dados relativos à produção de bioetanol a partir de cana de açúcar e cana de energia. Um pequeno extrato desses dados encontra-se na tabela a seguir.
| Característica | Cana de açúcar | Cana de energia |
|---|---|---|
| Teor de fibra (%) | 14 | 25 |
| Massa de fibra (t/ha) | 11 | 45 |
| Teor de açúcar (%) | 14 | 8 |
| Massa de açúcar (t/ha) | 11 | 14 |
Comparando-se os dados, pode-se concluir que a vantagem da cana de energia em relação à cana de açúcar reside em uma maior produção de bioetanol de
primeira e de segunda geração; o aumento maior se dá na produção de bioetanol de segunda geração, tendo como base a produtividade por hectare.
segunda geração, produção essa que compensa a diminuição na produção de bioetanol de primeira geração, tendo como base a produtividade por hectare.
primeira geração, produção essa que compensa a diminuição na produção de bioetanol de segunda geração, tendo como base os teores indicados.
primeira e de segunda geração; o aumento maior se dá na produção de bioetanol de primeira geração, tendo como base os teores indicados.
Resolução
O bioetanol de primeira geração é produzido pela fermentação dos açúcares da cana. Já o de segunda geração utiliza as fibras: os carboidratos dessas fibras, como a celulose, precisam ser decompostos em açúcares que possam ser fermentados.
Para comparar a produtividade por hectare, devemos observar as massas de açúcar e de fibra produzidas por hectare, e não apenas seus teores percentuais. O teor indica a proporção de um componente na cana, mas não informa, sozinho, quanto desse componente é obtido na área cultivada.
Na produção de primeira geração, a cana de energia apresenta vantagem porque fornece 14 toneladas de açúcar por hectare, enquanto a cana de açúcar fornece 11. Portanto, mesmo tendo menor teor de açúcar (8% contra 14%), a cana de energia produz 3 toneladas a mais de açúcar por hectare, oferecendo mais matéria-prima para esse bioetanol.
Na produção de segunda geração, a vantagem é muito maior: a massa de fibras passa de 11 toneladas por hectare, na cana de açúcar, para 45, na cana de energia. Isso representa 34 toneladas adicionais de fibras por hectare. Como as duas comparações partem de 11 toneladas por hectare, o aumento é maior, tanto em quantidade quanto proporcionalmente, na matéria-prima destinada ao bioetanol de segunda geração.