Fuvest
2026

Sempre que brilha um novo dia, e que nos bate à porta o jornal, apoderamo-nos com solicitude dessa folha e avidamente percorremos a sessão das Câmaras do dia antecedente em procura do assunto que temos escrito no coração e no espírito - a educação da mulher brasileira -, e dobramos a folha desconsolados e aguardamos o dia seguinte, que se escoa na mesma expectativa, no mesmo desengano!

(...)

Um dia raiará mais propício para nós, em que os escolhidos da nação brasileira se dignem de achar a educação da mulher um objeto importante para dele ocuparem-se, com a circunspecção que merece.

Nísia Floresta. Opúsculo Humanitário.

Sonhando ser mestra, eu não imaginava o descanso, o repouso ameno que daria à minha mãe como recompensa dos grandes sacrifícios feitos por ela para meu bem-estar, eu não pensava em ser útil, em tornar-me necessária, imprescindível. Eu queria ser mestra para não morar em um cortiço mal-alumiado, infecto, úmido, nesta terra onde há tantas flores, tanta luz e tantas alegrias. O caso é que fosse qual fosse a mão que me escreveu no pensamento a resolução de vir a ser professora – pertencesse ela à tentação diabólica do luxo ou à compreensão de um dever –, fosse qual fosse, eu a abençoo.

Julia Lopes de Almeida. Memórias de Martha.

A partir da leitura dos excertos e das obras citadas, é correto afirmar:

a

Opúsculo Humanitário e Memórias de Martha são obras que defendem fortemente o abolicionismo e o acesso à educação pela população afrodescendente brasileira.

b

Opúsculo Humanitário defende a modernização da política brasileira, e Memórias de Martha narra a ascensão social da protagonista por meio da sua profissionalização.

c

Opúsculo Humanitário e Memórias de Martha, obras seminais do feminismo no Brasil, defendem a educação profissional feminina a fim de prepará-las para a sua emancipação econômica.

d

Opúsculo Humanitário e Memórias de Martha destacam o espaço rural brasileiro como o lugar adequado para a emancipação feminina.

e

Opúsculo Humanitário e Memórias de Martha são obras que reivindicam uma solução para as contradições sociais e econômicas do Brasil no século XIX, com ênfase na defesa da educação feminina.

Resposta certa

Resolução

A afirmação está correta: as duas obras abordam desigualdades da sociedade brasileira do século XIX e destacam a educação feminina como um caminho para enfrentá-las. Cada texto, porém, desenvolve essa defesa de uma maneira.

Em Opúsculo Humanitário, Nísia Floresta critica a falta de atenção dos representantes políticos à educação das mulheres. A leitura diária do jornal termina em decepção porque o assunto não recebe o tratamento esperado nas Câmaras. Ao desejar que “os escolhidos da nação brasileira” reconheçam sua importância, a autora cobra dos legisladores uma responsabilidade pública: tratar a educação feminina com seriedade, em vez de negligenciá-la.

Em Memórias de Martha, de Júlia Lopes de Almeida, essa questão aparece na experiência da narradora, que deseja ser professora para deixar de morar em um cortiço “mal-alumiado, infecto, úmido”. A formação para o magistério representa, portanto, uma possibilidade de exercer uma profissão, obter sustento e melhorar suas condições de vida. É importante perceber que a narradora não apresenta seu desejo como puramente altruísta: ela reconhece a própria vontade de escapar da pobreza.

O contraste entre a precariedade do cortiço e uma terra com “tantas flores, tanta luz e tantas alegrias” evidencia a desigualdade social. Assim, enquanto Nísia cobra uma mudança na atuação política, Júlia mostra como o acesso de uma mulher à formação profissional pode transformar sua situação econômica. A educação feminina aparece nas duas obras como uma questão social, e não apenas como um interesse individual.

* Explicação gerada com inteligência artificial. Pode conter erros.
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