Unesp
2026
Texto de apoio para a questão

Para responder às questões 18 e 19, examine o desenho de Dedé Laurentino, concebido a partir do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

Desenho com blocos de montar coloridos que recompõem os versos do poema e legenda das expressões

(Dedé Laurentino. Você está aqui, 2023. Adaptado.)

Em 1968, o próprio Drummond reuniu, no livro intitulado Uma pedra no meio do caminho: biografia de um poema, centenas de comentários — tanto de enaltecimento quanto de repúdio — sobre o seu poema. Na apresentação desse livro, o crítico literário Arnaldo Saraiva anotou:

Trata-se de um poema de apenas dez versos. Mas alguns dos versos são exatamente iguais: versos 1, 4 e 10; versos 2 e 9; versos 3 e 8, o que praticamente reduz a seis o número de versos “válidos”. Se bem atentarmos, porém, verificaremos que os versos 2, 3, 7, 8 e 9 não são mais do que a repetição em ordem inversa do verso 1, ou a repetição de “metade” desse mesmo verso (o que, aliás, também ocorre no verso 7 em relação ao verso 5), pelo que o valor lógico do poema caberia todo em apenas três versos.

(Arnaldo Saraiva apud Carlos Drummond de Andrade. Uma pedra no meio do caminho: biografia de um poema, 2010. Adaptado.)

A se considerar apenas seu “valor lógico”, o poema assumiria a seguinte configuração:

a

Configuração de blocos da alternativa A

b

Configuração de blocos da alternativa B

c

Configuração de blocos da alternativa C

d

Configuração de blocos da alternativa D

Resposta certa
e

Configuração de blocos da alternativa E

Resolução

A expressão “valor lógico” se refere às informações transmitidas pelo poema, sem considerar os efeitos expressivos das repetições. Assim, a questão pede uma configuração que elimine as informações repetidas, mantendo apenas o que acrescenta algo ao sentido.

O verso 1, “No meio do caminho tinha uma pedra”, apresenta o acontecimento. Os versos 4 e 10 são iguais a ele. Os versos 2 e 9 apresentam a mesma informação em ordem inversa: “tinha uma pedra no meio do caminho”. Já os versos 3 e 8, “tinha uma pedra”, repetem apenas parte dessa informação. Por isso, todos esses versos podem ser representados somente pelo verso 1.

Os versos 5 e 6 acrescentam informações: o eu lírico afirma que nunca esquecerá o acontecimento e faz referência às suas “retinas tão fatigadas”. O verso 7, “Nunca me esquecerei que no meio do caminho”, combina o início do verso 5 com uma parte do verso 1, sem acrescentar uma informação independente.

Restam, portanto, os versos 1, 5 e 6, representados pelas três fileiras de blocos da alternativa D:

No meio do caminho tinha uma pedra

Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

* Explicação gerada com inteligência artificial. Pode conter erros.
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