Unesp
2026

O ponto de partida da filosofia autêntica encontra-se no espanto, na admiração ou na angústia. Uma fissura manifesta-se na existência; é preciso cimentar a brecha da dúvida. O pensamento vem e põe ordem na desordem. Chamam-se filosofia os primeiros princípios que traduzem a justificação que a pessoa se dá sobre seu lugar no mundo. O que a reflexão procura é sempre um estado de paz, princípio de uma orientação ontológica em fé da qual o homem se encontra à vontade na sua paisagem. Neste sentido, a função da filosofia não é diferente da do mito. O mito é a primeira forma desta adaptação espiritual da comunidade humana ao seu contorno. O pensador, uma vez rompida a consciência coletiva, retoma-o por sua conta, com os meios acrescidos da reflexão.

(Georges Gusdorf. Mito e metafísica, 1979. Adaptado.)

Com base no excerto, a relação entre mito e filosofia pode ser compreendida como a

a

superação do saber mitológico enquanto forma de preservação do consenso comunitário.

b

negação da validade de métodos racionais para as explicações ontológicas.

c

articulação simbólica entre diferentes formas de responder ao conhecimento científico.

d

substituição progressiva da fabulação mítica pela análise conceitual sistemática.

Resposta certa
e

rejeição filosófica de narrativas pré-reflexivas como expressão do irracional.

Resolução

Segundo o texto, mito e filosofia têm uma função semelhante: ajudar o ser humano a compreender seu lugar no mundo e a orientar sua existência. O mito realiza essa função por meio de narrativas simbólicas compartilhadas pela comunidade, que dão sentido à realidade. É a construção dessas narrativas que a alternativa chama de “fabulação mítica”, sem que isso signifique uma simples mentira.

A filosofia surge quando essas explicações deixam de ser suficientes e passam a despertar dúvidas. O pensador procura, então, compreender a realidade por meio da reflexão, formulando conceitos e examinando os argumentos que sustentam suas explicações. A expressão “análise conceitual sistemática” indica esse esforço de organizar as ideias e investigar suas relações de maneira fundamentada.

Assim, a “substituição progressiva da fabulação mítica pela análise conceitual sistemática” corresponde à mudança no modo de buscar explicações: das narrativas coletivas para a investigação reflexiva. Isso não significa uma ruptura completa nem o desaparecimento dos mitos. Ao afirmar que o pensador retoma essa tarefa “com os meios acrescidos da reflexão”, Gusdorf destaca que a filosofia mantém a busca de orientação antes realizada pelo mito, mas modifica os meios utilizados para realizá-la.

* Explicação gerada com inteligência artificial. Pode conter erros.
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