Unesp
2026
Texto de apoio para a questão

Para responder às questões de 07 a 11, leia o primeiro poema da seção intitulada “Homenagem a Ricardo Reis”, da poeta portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), publicado originalmente em 1972 no livro Dual.

Não creias, Lídia, que nenhum estio¹
Por nós perdido possa regressar
    Oferecendo a flor
    Que adiamos colher.

Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo círculo da noite
    Não existe piedade
    Para aquele que hesita.

Mais tarde será tarde e já é tarde.
O tempo apaga tudo menos esse
    Longo indelével rasto²
    Que o não-vivido deixa.

Não creias na demora em que te medes.
Jamais se detém Kronos³ cujo passo
    Vai sempre mais à frente
    Do que o teu próprio passo.

(Sophia de Mello Breyner Andresen. Coral e outros poemas, 2018.)

¹estio: verão.

²rasto: rastro.

³Kronos: do grego khrónos, “tempo”. Na mitologia grega, titã do tempo.

Conforme sugerido pelo próprio título da seção, trata-se de um poema escrito à maneira de Ricardo Reis, o heterônimo neoclássico do poeta Fernando Pessoa (1888-1935). A exemplo do que ocorre com frequência na poética de Ricardo Reis, o eu lírico configura aqui o seguinte tópico clássico:

a

locus horrendus (“lugar horrível”).

b

inutilia truncat (“corta o inútil”).

c

carpe diem (“aproveita o momento”).

Resposta certa
d

locus amoenus (“lugar aprazível”).

e

fugere urbem (“fugir da cidade”).

Resolução

A resposta está correta porque o poema desenvolve o carpe diem, expressão latina que significa “aproveita o momento”. Esse tópico clássico, isto é, um tema recorrente herdado da Antiguidade, apresenta a ideia de que devemos viver o presente, pois o tempo passa e as oportunidades perdidas não podem ser recuperadas.

Na primeira estrofe, o eu lírico, a voz que fala no poema, adverte Lídia de que nenhum verão perdido voltará oferecendo “a flor / Que adiamos colher”. A flor representa as possibilidades de viver e desfrutar a vida que foram deixadas para depois. A segunda estrofe reforça essa advertência: “Cada dia te é dado uma só vez”. Assim, hesitar pode significar perder definitivamente uma oportunidade.

Nos versos “Mais tarde será tarde e já é tarde” e “Longo indelével rasto / Que o não-vivido deixa”, destaca-se a marca duradoura das experiências que não foram vividas. Por fim, a afirmação “Jamais se detém Kronos” mostra que o tempo não espera pelas decisões humanas. Portanto, o poema não apenas constata a passagem do tempo: ele aconselha a aproveitar o presente, o que caracteriza o carpe diem, também frequente na poesia de Ricardo Reis.

* Explicação gerada com inteligência artificial. Pode conter erros.
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