Unesp
2026
Texto de apoio para a questão

Para responder às questões de 07 a 11, leia o primeiro poema da seção intitulada “Homenagem a Ricardo Reis”, da poeta portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), publicado originalmente em 1972 no livro Dual.

Não creias, Lídia, que nenhum estio¹
Por nós perdido possa regressar
    Oferecendo a flor
    Que adiamos colher.

Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo círculo da noite
    Não existe piedade
    Para aquele que hesita.

Mais tarde será tarde e já é tarde.
O tempo apaga tudo menos esse
    Longo indelével rasto²
    Que o não-vivido deixa.

Não creias na demora em que te medes.
Jamais se detém Kronos³ cujo passo
    Vai sempre mais à frente
    Do que o teu próprio passo.

(Sophia de Mello Breyner Andresen. Coral e outros poemas, 2018.)

¹estio: verão.

²rasto: rastro.

³Kronos: do grego khrónos, “tempo”. Na mitologia grega, titã do tempo.

Depreende-se das reflexões do eu lírico uma visão de mundo influenciada, sobretudo, pela

a

filosofia iluminista.

b

teoria de Marx.

c

teoria de Darwin.

d

filosofia de Epicuro.

Resposta certa
e

filosofia de Platão.

Resolução

A resposta está correta: a reflexão do eu lírico aproxima-se da filosofia de Epicuro por valorizar a vida presente e alertar contra o desperdício das oportunidades de viver. Para Epicuro, a felicidade está ligada ao prazer vivido com moderação, à tranquilidade e à ausência de sofrimento, não à busca desenfreada de excessos.

No poema, o eu lírico, isto é, a voz que fala no texto, dirige-se a Lídia para lembrar que o tempo não volta. Os versos “Cada dia te é dado uma só vez” e “Jamais se detém Kronos” destacam que cada momento é único e que a passagem do tempo não pode ser interrompida. Por isso, adiar a vida significa perder possibilidades que talvez não retornem.

A imagem da “flor / Que adiamos colher” representa essas oportunidades deixadas para depois. Já os versos “O tempo apaga tudo menos esse / Longo indelével rasto / Que o não-vivido deixa” mostram a consequência da hesitação: a marca persistente daquilo que não se viveu. “Indelével” significa justamente aquilo que não pode ser apagado.

Assim, o convite a aproveitar o presente tem afinidade com a valorização epicurista dos prazeres da vida. Isso não significa uma defesa de atitudes impulsivas ou de qualquer prazer a qualquer custo: o epicurismo propõe escolhas conscientes e moderadas, capazes de favorecer uma vida feliz.

* Explicação gerada com inteligência artificial. Pode conter erros.
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