Unicamp
2021

A questão da consciência ou autopercepção nacional nas colônias da América tem sido frequentemente tratada de forma desligada do seu contexto político e social. Podemos, todavia, pensar em um sentimento de distinção e diferença, uma falta de identificação com a Europa e uma consciência da realidade colonial que teria existido entre populações mestiças.

(Adaptado de Stuart B Schwartz, “A formação de uma identidade colonial no Brasil”, em Da América Portuguesa ao Brasil. Lisboa: Difel, 2003, p. 218.)

Com base no texto acima sobre a formação da identidade colonial, assinale a alternativa correta.

a

No continente ibero-americano, prevaleceu uma percepção colonial de mestiços distinta daquela das elites coloniais, nascidas ou não nessa região, pois essas elites foram formadas nos cânones universitários coloniais desde o século XVI.

b

Composta por imigrantes vindos da Europa e por seus descendentes brancos nascidos no Brasil, a elite colonial e os mestiços construíam suas identidades calcadas nas tensões sociais e hierarquias sócio-políticas da realidade colonial.

Resposta certa
c

Em função de experiências sociais distintas, a noção de pertencimento era similar entre os sujeitos envolvidos na realidade colonial ibero-americana. Por exemplo, os quilombolas tinham a mesma identidade nacional que os pardos livres.

d

Os brasileiros desenvolveram, desde o período colonial ibero-americano, uma consciência nacional homogênea, porque o modo como eram vistos exteriormente e o modo como se viam influenciavam a compreensão da relação liberal estabelecida entre a colônia e a metrópole.

Resolução

A alternativa está correta porque relaciona a formação das identidades coloniais às tensões e hierarquias da sociedade da época. O texto critica justamente a ideia de estudar a consciência de pertencimento sem considerar o contexto político e social em que as pessoas viviam.

Na América portuguesa, a sociedade era escravista e profundamente desigual. A origem, a cor, a riqueza e a condição de pessoa livre ou escravizada influenciavam as posições sociais. A elite branca, formada por europeus e seus descendentes nascidos no Brasil, podia valorizar sua ligação com a Europa para afirmar prestígio e autoridade. Ao mesmo tempo, seus interesses na colônia nem sempre coincidiam com os da metrópole portuguesa, o que também gerava tensões.

As populações mestiças, por sua vez, ocupavam posições variadas nessa sociedade e construíam suas identidades a partir de experiências próprias da realidade colonial. É nesse sentido que o texto menciona um “sentimento de distinção e diferença” em relação à Europa. Isso não significa que já existisse uma identidade nacional brasileira única e consolidada: tratava-se de formas de pertencimento e diferenciação construídas dentro da sociedade colonial.

* Explicação gerada com inteligência artificial. Pode conter erros.
Praticar mais questões de Brasil colônia