Texto I

(André Vallias, 2020. Disponível em: https://gramho.com/media/2412019968340930281. Acessado em 20/06/2021.)
Texto II

(Hélio Oiticica, Bandeira-poema [Seja marginal, seja herói], 1968. Disponível em: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra2638/bandeira-poema. Acessado em 24/08/2021.)
Considere o diálogo intertextual entre os dois poemas e assinale a alternativa correta.
O texto II parodia o texto I ao deslocar o tema da conectividade no meio digital para o elogio da marginalidade como ato heroico.
O texto I parafraseia o texto II ao chamar atenção para a posição marginal imposta a quem resiste à pressão de viver conectado às redes.
O texto II alude ao texto I para reforçar a equivalência entre as condições de ficar “off-line” e ser “marginal” em cada contexto.
O texto I parodia o texto II para situar como heroico e transgressivo o ato de se desconectar das redes sociais no contexto atual.
Resolução
A intertextualidade ocorre quando um texto retoma elementos de outro e estabelece um diálogo com ele. Nesse caso, o texto I recupera a imagem da figura humana e a expressão “seja herói” do texto II, mas modifica a primeira parte da mensagem.
No texto II, Hélio Oiticica aproxima duas ideias que costumam ser vistas como opostas: ser “marginal” e ser “herói”. A palavra “marginal” remete a quem está à margem das normas e dos valores socialmente aceitos. Ao associar essa condição ao heroísmo, o poema questiona os critérios usados pela sociedade para valorizar ou condenar alguém.
No texto I, André Vallias substitui “seja marginal” por “fique off-line”, isto é, desconecte-se da internet e das redes sociais. Com essa mudança, o comportamento apresentado como heroico passa a ser a recusa de permanecer conectado. Em um contexto de forte presença das redes sociais na vida cotidiana, desconectar-se aparece como uma atitude transgressora, pois contraria a expectativa de participação e disponibilidade constantes.
Essa transformação caracteriza a paródia: o texto retoma uma obra reconhecível, mas altera sua mensagem para produzir um novo sentido crítico. A paródia não precisa apenas provocar humor ou ridicularizar o original. Aqui, ela atualiza a relação entre transgressão e heroísmo, o que torna correta a alternativa apresentada.