Pouco a pouco a noção de “governança” toma o lugar da categoria “soberania”, tornada antiquada e desvalorizada segundo os princípios da disciplina neoliberal da globalização econômica. Para os defensores da governança, um Estado não deve mais ser julgado por sua capacidade de assegurar soberania sobre um território, mas pelo respeito às injunções de organismos internacionais que representam grandes interesses comerciais e financeiros globais.
(Adaptado de Pierre Dardot e Christian Laval, A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo: Boitempo, 2016, p. 276.)
Sobre os conceitos de “governança” e “soberania”, podemos afirmar que
são sinônimos, pois fazem referência à melhor forma de ajustar a condução das empresas e dos Estados ao controle democrático das populações.
as legislações indiretas que beneficiam determinados interesses em detrimento do interesse público são declinantes, daí a menor importância das privatizações hoje.
os dois termos são contraditórios, na medida em que representam interesses opostos: de um lado os interesses públicos nacionais; de outro, as exigências da globalização.
implicam cogovernanças privado-públicas das políticas econômicas, levando à produção de medidas e dispositivos favoráveis às soberanias nacionais.
Resolução
A soberania é a autoridade que um Estado tem para tomar decisões sobre seu território e sua população, sem estar subordinado a um poder externo. Ela permite que o Estado estabeleça leis e políticas públicas segundo as necessidades e os interesses nacionais.
Já a governança, no sentido específico usado pelo texto, é uma forma de orientar a atuação do Estado pelas exigências de organismos internacionais ligados a grandes interesses comerciais e financeiros. Nesse modelo, o Estado passa a ser avaliado pelo cumprimento dessas exigências, e não pela sua autonomia de decisão. A palavra “injunções”, presente no trecho, significa imposições ou determinações.
A alternativa está correta porque identifica o conflito apresentado pelos autores: enquanto a soberania valoriza a autonomia do Estado para atender aos interesses públicos nacionais, essa governança neoliberal subordina suas decisões às exigências da economia globalizada. Quando essas exigências entram em choque com as necessidades nacionais, atendê-las pode limitar a soberania. Portanto, a oposição indicada na resposta deve ser entendida dentro da visão crítica de governança apresentada no texto, e não como uma definição válida para todo uso desse termo.