Unesp
2026

Se antes a informação era um produto comercializado pelas grandes instituições e emissoras, agora é também feita pelos indivíduos. Cada usuário das redes sociais se configura como um grande emissor; cada indivíduo se torna uma mídia poderosa. No entanto, repete-se a fórmula na qual a relevância das informações está vinculada não ao seu potencial emancipatório, mas à audiência que é capaz de gerar (entendida como o número de compartilhamentos, seguidores, tempo de permanência). Enquanto não se desenvolver uma cultura crítica do uso dos meios em benefício da libertação humana, os meios digitais se parecerão, cada vez mais, com os meios de comunicação de massa. A massificação se torna remassificação.

(Patricio Dugnani. “Meios de Comunicação de Massa e Meios Digitais: remassificação e internetilização”. In: Anagramas Rumbos y Sentidos de la Comunicación, 2024. Adaptado.)

O excerto revela que a comunicação contemporânea mantém traços centrais dos conceitos de indústria cultural, teorizados pela Escola de Frankfurt, que podem ser identificados a partir da

a

reprodução da alienação em favor de interesses hegemônicos.

Resposta certa
b

neutralização da função ideológica dos dispositivos midiáticos.

c

consolidação de uma esfera pública digital voltada à emancipação do indivíduo.

d

valorização da linguagem digital como forma de autonomia simbólica.

e

reconfiguração estética das mídias voltada à legitimação democrática.

Resolução

A resposta está correta porque o texto mostra que a ampliação da participação na comunicação não garante o desenvolvimento do pensamento crítico. Mesmo quando os indivíduos produzem informações, podem continuar reproduzindo uma lógica que favorece interesses dominantes.

Para os pensadores da Escola de Frankfurt, a indústria cultural transforma a cultura em mercadoria: sua produção e circulação passam a priorizar o retorno comercial, em vez da reflexão e da autonomia das pessoas. Nesse contexto, a alienação envolve a dificuldade de perceber e questionar as relações de dominação presentes na sociedade. Já os interesses hegemônicos são os interesses dos grupos dominantes, que conseguem fazer prevalecer sua visão de mundo.

O trecho afirma que a relevância das informações depende da “audiência que é capaz de gerar”, medida por compartilhamentos, seguidores e tempo de permanência. Assim, o critério principal não é contribuir para a compreensão crítica da realidade, mas atrair e manter a atenção do público. Isso favorece interesses comerciais ligados à comunicação e pode reproduzir a alienação mencionada na alternativa.

É por isso que o autor fala em “remassificação”: embora as redes permitam que cada pessoa seja emissora, elas podem conservar a lógica dos meios de comunicação de massa. A mudança de quem produz a informação, portanto, não elimina automaticamente os mecanismos de dominação criticados pela Escola de Frankfurt.

* Explicação gerada com inteligência artificial. Pode conter erros.
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