O mapa a seguir apresenta países com mais de 5 milhões de habitantes vivendo em favelas (ou outras formas de habitação precária).


(Adaptado de: https://espace-mondial-atlas.sciencespo.fr. Acessado em 02/07/2021.)
Com base nas informações do mapa e em seu conhecimento sobre a população urbana que vive em habitações precárias e favelas, assinale a alternativa correta.
Em grande parte dos países da África Subsaariana, mais de 60% da população urbana vive em favelas ou habitações precárias, um problema social decorrente, entre outros fatores, da inserção do continente na divisão internacional do trabalho.
Na América Latina, entre 5% e 20% da população urbana vive hoje em favelas ou habitações precárias, o que deixou de ser um problema social por conta da industrialização da região no século XX e da disseminação de políticas públicas.
A forte desaceleração da urbanização na China e na Índia nesta década, associada a políticas públicas, tem levado à diminuição das habitações precárias nesses países, ainda que os números absolutos de moradores em condições precárias continuem elevados.
A habitação precária não se coloca como uma questão social importante nos países do Oriente Médio, uma vez que há volumosos investimentos em políticas públicas para o setor da habitação, financiados com recursos obtidos da exploração do petróleo.
Resolução
A alternativa está correta. Para verificá-la, é preciso distinguir os mapas: o primeiro apresenta a quantidade de pessoas vivendo em favelas ou habitações precárias; o segundo mostra a porcentagem da população urbana nessas condições. A afirmação da alternativa deve ser conferida principalmente no segundo mapa.
Nele, muitos países da África Subsaariana, região situada ao sul do deserto do Saara, aparecem na faixa de 61,01% a 96%. Isso confirma que, em grande parte desses países, mais de 60% dos moradores das cidades vivem em habitações precárias. Atenção: o percentual se refere à população urbana, e não à população total do país.
A divisão internacional do trabalho é a distribuição das atividades produtivas entre os países na economia mundial. Historicamente, a colonização direcionou muitas economias africanas à exportação de matérias-primas e produtos agrícolas, enquanto a produção industrial de maior valor agregado se concentrava nas potências econômicas. Mesmo após as independências, muitos países mantiveram essa inserção dependente, com economias pouco diversificadas e forte concentração dos benefícios da produção.
Essa trajetória ajuda a compreender a dificuldade de ampliar empregos bem remunerados, serviços públicos e infraestrutura urbana. Somada à desigualdade de renda, ao acesso restrito à terra urbanizada e à insuficiência das políticas habitacionais, ela contribui para que o crescimento das cidades ocorra sem moradias adequadas para todos. Por isso, a alternativa apresenta a inserção na divisão internacional do trabalho como um dos fatores do problema, e não como sua única causa.