Observe e analise a obra artística de Cildo Meireles:

Anverso e reverso de Zero Cruzeiro, de Cildo Meireles. Acervo Fundação Cultural Banco Itaú.
Em Zero Cruzeiro, obra criada em 1978,
a assinatura reproduzida na nota é a do presidente do Banco Central e confere um efeito oficial e realístico à nota Zero Cruzeiro.
a indicação do valor nominal sugere a estabilização econômica promovida pelas políticas públicas da época com a diminuição da inflação.
a ilustração empregada na composição subverte o culto dos heróis nacionais e introduz a presença de pessoas comuns e anônimas, com frequência desvalorizadas.
a obra sugere a indistinção entre a criação artística e a nota de dinheiro, uma vez que ambas têm valor de troca.
a imagem exalta a valorização de setores marginalizados que foram beneficiados com as políticas de inclusão social adotadas pelo regime militar.
Resolução
A alternativa está correta porque Cildo Meireles utiliza a aparência de uma cédula de dinheiro, mas modifica quem aparece nela. Tradicionalmente, as cédulas apresentam retratos de personalidades reconhecidas oficialmente como importantes para a história do país. Essa escolha ajuda a homenagear essas figuras e a construir a imagem de heróis nacionais.
Em Zero Cruzeiro, o artista substitui essas personalidades por um indígena e um homem internado em uma instituição psiquiátrica. Em vez de destacar pessoas famosas e poderosas, coloca em evidência indivíduos anônimos, pertencentes a grupos frequentemente marginalizados. É nesse sentido que a obra “subverte o culto dos heróis nacionais”: ela questiona a homenagem tradicional ao dar destaque a pessoas que costumam ficar fora das representações oficiais da nação.
A inscrição “zero cruzeiro” também contribui para a crítica. O valor monetário nulo provoca uma reflexão sobre a desvalorização social das pessoas retratadas. Assim, a obra não trata apenas do dinheiro: questiona também quem recebe reconhecimento e quem é tratado como se não tivesse importância na sociedade.