
Disponível em https://cartum.folha.uol.com.br/charges/.
Em termos da interação entre os recursos verbais e imagéticos na charge, é correto afirmar:
A representação imagética dos indígenas como miseráveis é hiperbólica, reforçando o sentido da pergunta “Por que mais terras?”, o que evidencia uma atitude autoral favorável ao marco temporal.
A distribuição espacial do casal e da família indígena personifica a polarização política, o que fica demarcado pela oposição “nós” contra “eles” na fala da mulher.
A expressão “mais terras”, em contraste com o espaço ocupado pela família indígena, busca mostrar que já há soluções alternativas para a delimitação de terras para os povos originários no tecido urbano.
Ocorre uma quebra de expectativa entre a representação da família indígena e a expressão “perfeitamente integrados”, o que colabora para o teor crítico da charge em relação ao marco temporal.
A postura do casal, em relação aos indígenas, sinaliza empatia e mostra o seu interesse na derrubada do marco temporal, que tem levado indígenas à pobreza nas metrópoles brasileiras.
Resolução
A afirmação está correta porque a charge constrói sua crítica pelo contraste entre o que os personagens dizem e o que a imagem mostra. A pergunta “Por que mais terras?” é acompanhada da justificativa: “Eles já estão perfeitamente integrados à nossa cultura!”. Essas falas apresentam a suposta integração dos indígenas como motivo para negar sua necessidade de terras.
Na imagem, porém, a família indígena aparece na rua, com cestos e moedas pelo chão, em uma situação que sugere pobreza e marginalização. Essa representação contrasta com a expressão “perfeitamente integrados”, que cria a expectativa de uma inclusão bem-sucedida, com condições dignas de vida.
A quebra dessa expectativa produz ironia: aquilo que os personagens apresentam como uma integração satisfatória corresponde, visualmente, a uma situação de exclusão social. A palavra “perfeitamente” intensifica essa contradição e evidencia a indiferença de quem fala diante da situação da família.
O título “Marco temporal” relaciona essa contradição ao debate sobre os critérios de reconhecimento das terras indígenas. Assim, a charge critica o argumento de que a participação dos indígenas na sociedade não indígena tornaria desnecessária a garantia de seus direitos territoriais.