Fuvest
2026

A escola não pode ignorar as diferenças sociolinguísticas. Os professores e, por meio deles, os alunos têm que estar bem conscientes de que existem duas ou mais maneiras de dizer a mesma coisa. E mais, que essas formas alternativas servem a propósitos comunicativos distintos e são recebidas de maneira diferenciada pela sociedade. Os alunos que chegam à escola falando “nós cheguemu”, “abrido” e “ele drome”, por exemplo, têm que ser respeitados e ver valorizadas as suas peculiaridades linguístico-culturais, mas têm o direito inalienável de aprender as variantes de prestígio dessas expressões. Não se lhes pode negar esse conhecimento, sob pena de se fecharem para eles as portas, já estreitas, da ascensão social.

BORTONI-RICARDO, S. M. Nós cheguemos na escola, e agora? Sociolinguística & Educação. São Paulo: Parábola, 2005. Adaptado.

De acordo com o texto, cabe aos professores

a

respeitar as variações linguísticas dos alunos, mas solicitar que eles utilizem a norma culta no ambiente escolar.

b

incentivar o uso das variações regionais dos alunos, mas mostrar a eles que a escola recebe variantes de forma preconceituosa.

c

respeitar as particularidades linguísticas dos alunos, mas dar a eles condições de aprender outras variantes.

Resposta certa
d

mostrar aos alunos que eles podem cometer erros em relação ao uso de verbos, mas que isso pode ser prejudicial à ascensão social.

e

ensinar aos alunos a norma padrão da língua, mas permitir que eles cometam erros para não serem excluídos pela sociedade.

Resolução

A resposta está correta porque o texto atribui aos professores duas responsabilidades: respeitar as formas de falar que os alunos já utilizam e garantir que eles aprendam outras variantes. Variantes linguísticas são diferentes formas de expressão de uma língua, relacionadas, por exemplo, ao contexto social e cultural dos falantes.

A primeira responsabilidade aparece na afirmação de que os alunos “têm que ser respeitados e ver valorizadas as suas peculiaridades linguístico-culturais”. Isso significa que a escola não deve humilhar nem desvalorizar quem usa expressões como “nós cheguemu”, pois essas formas fazem parte da experiência linguística desses estudantes.

A segunda aparece quando a autora afirma que eles “têm o direito inalienável de aprender as variantes de prestígio dessas expressões”. Essas variantes são formas socialmente mais valorizadas, exigidas em situações como avaliações e determinados ambientes profissionais. Por isso, respeitar a fala dos alunos não significa deixar de ensinar outras formas de expressão: esse aprendizado amplia suas possibilidades de participação social.

* Explicação gerada com inteligência artificial. Pode conter erros.
Praticar mais questões de Variação linguística