Entre 1810 e 1850 os debates acalorados giraram em torno do fim do tráfico internacional, da sua legislação, da sua repressão, num impressionante vaivém, ou na famosa expressão: “Para inglês ver”. Até que o comércio internacional de almas fosse extinto em 1850, e na verdade alguns anos depois, muita pressão externa foi necessária. O fim do tráfico não significou a abolição da escravidão, que ainda permaneceria forte por quase quarenta anos.
Lilia M. Schwarcz e Flávio Gomes. “Apresentação”. In: Dicionário da escravidão e liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. Adaptado.
De acordo com o excerto, é correto afirmar:
O fim do tráfico internacional de escravizados em 1850 implicou a substituição da mão de obra africana pela indígena.
Os importadores de escravizados foram duramente prejudicados com a promulgação da lei Feijó de 1831.
Os debates parlamentares entre os anos 1810 e 1850 defendiam formas de indenização aos proprietários.
O fim do tráfico internacional após 1850 favoreceu o tráfico interprovincial.
Os apelos internacionais pela abolição do tráfico revelavam os interesses de imigrantes europeus.
Resolução
A afirmação está correta. O tráfico internacional era o comércio que trazia africanos escravizados para o Brasil. A Lei Eusébio de Queirós, de 1850, fortaleceu a repressão a esse comércio, levando à sua interrupção nos anos seguintes. Como destaca o excerto, isso não significou a abolição da escravidão: as pessoas escravizadas continuaram nessa condição e ainda podiam ser compradas e vendidas dentro do país.
Ao mesmo tempo, a expansão das lavouras de café no Sudeste mantinha elevada a procura por trabalhadores escravizados. Como os proprietários já não podiam recorrer ao tráfico internacional como antes, passaram a comprar mais pessoas escravizadas de outras regiões brasileiras.
Assim, intensificou-se o tráfico interprovincial, isto é, o comércio de pessoas escravizadas entre as províncias do Brasil. Esse comércio já existia, mas ganhou força com o fim do tráfico internacional, envolvendo principalmente a transferência forçada de pessoas do Nordeste para as áreas cafeeiras do Sudeste.